Entenda riscos e possíveis alvos de uma ofensiva por terra dos Estados Unidos contra o Irã

  • 30/03/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda os riscos e os possíveis alvos de uma ofensiva por terra dos EUA contra o Irã No front da guerra, militares dos Estados Unidos se preparam para uma ofensiva terrestre contra o Irã. A presença americana no Oriente Médio não para de crescer. Dois mil paraquedistas de elite do Exército começaram a chegar nesta segunda-feira (30) à região. E no fim de semana, mais de 3 mil fuzileiros navais se juntaram aos 50 mil militares que já estavam lá desde o início da guerra. As novas tropas são especializadas em infiltrações e em operações por terra. Além delas, o governo americano avalia mandar mais 10 mil soldados com artilharia e veículos blindados. Toda essa mobilização aponta para uma futura invasão. Trump falou abertamente sobre um possível ataque à ilha iraniana de Kharg e disse que pode capturá-la. Por lá, passam 90% das exportações de petróleo do Irã. Os americanos já atingiram perto de 100 alvos militares em Kharg, o que indica uma tentativa de neutralizar as defesas para uma invasão. Mas invadir a ilha seria uma operação complexa porque o Irã mantém um forte aparato militar no Golfo Pérsico, especialmente em outras cinco ilhas que também estão na mira dos americanos. Duas delas são fundamentais, por exemplo, para o bloqueio do Estreito de Ormuz. Qeshm é a maior ilha da região. Por sua localização, é considerada uma espécie de portal natural do Estreito de Ormuz. No subsolo, cavernas naturais de quilômetros de extensão viraram depósitos para esconder drones e mísseis. Esse arsenal tem sido usado para ameaçar e atacar navios que tentam atravessar o estreito. Perto dali, está a ilha de Larak. É de lá que barcos iranianos saem para atacar petroleiros e instalar explosivos em alto-mar. Há ainda uma última frente para uma ofensiva terrestre - essa é a mais arriscada. Os militares americanos podem tentar se infiltrar em uma das usinas nucleares no coração do Irã, como Isfahan, para apreender estoques de urânio enriquecido - a matéria-prima das armas nucleares. Só que esse material está altamente protegido. E, além disso, o transporte dele traz riscos de contaminação radioativa. O cientista político especializado em Oriente Médio da Universidade de Nova York Zachary Lockman acredita que a ilha de Kharg e a usina nuclear de Isfahan são os alvos mais prováveis de uma possível operação por terra. Mas alerta: “São opções extremamente perigosas. Os Estados Unidos certamente sofrerão baixas significativas e não se pode prever o sucesso dessa operação. As consequências podem ser ainda mais desastrosas para todos os envolvidos na guerra e para a economia global”, diz ele. Entenda riscos e possíveis alvos de uma ofensiva por terra dos Estados Unidos contra o Irã Jornal Nacional/ Reprodução O professor de Relações Internacionais iraniano Kian Tajbakhsh, da Universidade Columbia, avalia que está cada vez mais difícil para os Estados Unidos não colocar as botas no solo - é como os americanos chamam as operações por terra. “Seria uma derrota histórica para Trump”, diz ele. O professor explica que, com o fechamento do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos agora se veem na obrigação de reabrir a rota do petróleo: “Parece inevitável enviar tropas porque, do ponto de vista tático, é necessário ter soldados por lá para garantir a segurança do litoral sul do Irã e impedir que mísseis e drones sejam lançados”. LEIA TAMBÉM Por que a pequena ilha de Kharg, alvo de Trump no Irã, é estratégica na guerra Irã chama proposta de paz dos EUA de 'fora da realidade'; Trump volta a fazer ameaças por acordo Como a participação dos Houthis pode redefinir a guerra no Irã

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/03/30/entenda-riscos-e-possiveis-alvos-de-uma-ofensiva-por-terra-dos-estados-unidos-contra-o-ira.ghtml


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